Edição de setembro/2017 – pág. 22

Passar por um furacão é algo que gera muitos medos, acabo de viver essa experiência. Já passei por outras situações que envolvem fatores climáticos aqui nos EUA, mas não com a categoria que o Furacão Irma atingiu várias regiões.

Como alguém que cresceu no Brasil, ainda posso confessar que me sinto ainda mais insegura, pois ao contrário de muitos, não tenho noção prática nenhuma do que podem causar esses eventos catastróficos.

Certamente isso me fez ser ainda mais atenciosa com todas as orientações e diretrizes que o governo americano estava passando para a população nos poucos dias que antecederam a chegada do Irma a Flórida.

Hoje, alguns dias após a passagem desse furacão que atingiu a cidade onde moro, posso compartilhar com muitas pessoas o meu aprendizado, que foi enorme.

E claro, não poderíamos deixar de usar essa oportunidade para fazer algumas analogias e aplicar as lições aprendidas em outros tantos “furacões” que vivemos na vida profissional e pessoal.
Planejamento é o “segredo de estado” para receber um furacão. Como todo bom planejamento, é necessário saber o que, quando, porque e como fazer.

Simples assim? Não! Estamos falando de um planejamento que envolve muitos líderes municipais, estaduais e nacionais (governantes e órgãos competentes) & seus liderados (uma gigantesca população). Ou seja, todos que estão naquela região são diretamente envolvidos. É muita gente, muita informação, muitas ações para garantir resultados. E tudo isso em um prazo muito curto.

Não é realmente simples, nem fácil, mas o governo e a população juntos não merecem somente receber um “good job!” pelo trabalho realizado nas prévias da chegada do Irma. Foi mais que isso! Foi um incrível trabalho de planejamento em massa, com muitos resultados imediatos.

Claro que a estrutura e desenvolvimento da nação são fatores fundamentais para que esse planejamento tenha sido efetivo e os EUA contam com isso.

Pontos primordiais:

1. Os líderes têm a credibilidade da população, há confiança no governo de uma forma geral e nas suas decisões;

2. A população é parte do problema, portanto sabe que deve ser parte da solução também e precisa agir, não somente esperar soluções.

Há uma overdose de orientações para todas essas coisas que listo abaixo e outras muitas mais:

Enfim, o foco da população e do governo é claramente pensar em segurança e medidas de contingência. Não se fala em mais nada.

A informação é acessível e fácil de ser obtida. Há alguns websites que são divulgados na TV para que você não deixe de acessar algumas vezes por dia, como por exemplo o “National Hurricane Center”, a página do estado, do county e da cidade. A comunicação é praticada full time, sem descanso, sem esmorecimento:

Há boatos e informações falsas? Claro que sim. Não estamos fora do planeta! Onde há pessoas, há medo, há exageros, há notícias destorcidas. Mas os principais canais de TV se preocupam em reforçar para a população a importância de buscar informações em páginas específicas na web, aumentando as chances de todos terem acesso as informações em fontes confiáveis.

Os problemas acontecem no meio do planejamento? Sim! Mas para a maioria deles a reação é rápida. Claro que não podemos generalizar e dizer que todos fazem bem a sua lição de casa e que não foram poucos os impactos causados por um “monstro dos ventos”, como foi caso do Irma.

Por exemplo, há um hospital no Sul da Flórida que registrou morte de 8 idosos, já que em função da perda de energia, não conseguiu manter os aparelhos e ar-condicionado ligados, segundo publicado pelo Washington Post.

Assim como árvores que caem sobre carros nas ruas, alagamentos diversos, perda de bens materiais para muitas pessoas, algumas pessoas que morrem nas ruas durante o furacão, porém nada disso em um volume que seja compatível com a categoria.

Exemplos de rápida reação:

Claramente, assim como em uma família estruturada, os grandes são convidados pelos pais a cuidar dos pequenos. Ou seja, o governo intensifica acordos e cria proximidade com grandes empresas, as convidando a cuidar da população. Tudo isso em tempo muito curto, pois é uma situação que não fora prevista com tanta antecedência.

Obviamente, todo esse planejamento traz resultados não somente pelos métodos utilizados, mas também por acontecer em um país com uma estrutura adequada para isso, onde a maior parte da população compreende que cada um tem um papel fundamental, ao contrário de países subdesenvolvidos onde há muitas pessoas que assumem uma postura de vítima na espera por atitudes de seus líderes, literalmente deixando a “casa cair” quando surge uma catástrofe.

Para quem não tem grandes chances de passar por um furacão de fato, por não viver em uma região onde aconteça esse tipo de evento, fica a reflexão sobre a contribuição que pode ser dada por si próprio para melhorar a estrutura organizacional da empresa em que trabalha, ou mesmo a sua estrutura familiar para enfrentar com um bom planejamento os furacões metafóricos que a vida traz.

Mesmo que o tempo seja curto entre o anúncio do problema e a chegada dele, há um monte de coisas que podem ser feitas para amenizar impactos e se tivermos criado uma estrutura adequada, o resultado pode ser surpreendente.